quinta-feira, 28 de junho de 2007

Stroszek / 1977 / Werner Herzog

Stroszek é um filme que pode ser resumido assim: mesmo que você mude de lugar, seus problemas voltam, de outras formas, mas voltam. Bruno Stroszek, uma pessoa afável que acabou de sair da cadeia, é apaixonado pela prostituta Eva. Bruno é perseguido e oprimido pelos cafetões de Eva, por apenas ter oferecido a ela sua casa para dormir. Seu bom vizinho Mr. Scheitz, que cuidou da casa no período em que Bruno esteve preso, preocupa-se com a situação mais e mais perigosa que o amigo se meteu, por tentar cuidar de Eva, que aparece com um olho roxo em sua casa, agora, revirada. Os três decidem então partir, buscar um novo lugar para começar a vida. Estados Unidos é o país escolhido.

Mas Bruno, que não fala inglês, logo se sente desolado com a american way of life e passa a reclamar sua infelicidade a Eva que, através de um peça de madeira, tenta mostrar seu sofrimento e ela, que voltou a fazer programas no restaurante onde é garçonete, não suporta-o e quer dormir separada de Bruno. Logo, Bruno descobre que Eva voltou à prostituição, e esta simplesmente manda-o embora. Bruno aceita, e logo vemos que nada mudou em relação a sua situação na Alemanha, pois Bruno fora perseguido e humilhado por criminosos em seu país, agora, é perseguido pelo banco que cobra sua dívida de empréstimo e humilhado por Eva. Na cena em que sua casa é leiloada e toda a vizinhança se reúne para acompanhar, inclusive as crianças dos casais, Herzog quer mostrar a indiferença do povo americano com relação ao próximo, em que a desgraça do vizinho, é entretenimento para os outros.

Assim como Bruno, Mr. Scheitz também se sente deslocado. Enquanto faz experimentações científicas, o americano vai a caça e assiste TV. Scheitz é do tempo em que o Serviço Secreto estava na ativa na Alemanha, e ameaça o policial quando leiloam sua casa dizendo “Vocês não podem fazer isso. Vou chamar meus amigos do Serviço Secreto e vocês terão seus dedos queimados”. O que, quando é preso após assaltar uma barbearia à mão armada, pergunta a outro policial: “vocês estão todos juntos nessa?”. Strozek nos leva a conclusão que os alemães não estavam preparados para os Estados Unidos. É como o próprio Bruno diz, comparando a situação com o nazismo, que hoje é diferente, mas tudo acontece de outra forma. A cena final é importantíssima, porque se antes no começo do filme, Bruno fazia música para entreter as pessoas, agora ele se tornou o próprio entretenimento da América. Alguns pontos de vista são parecidos com os de Billy Wilder em Ace In The Hole, filme de 1951 em que um escavador fica preso em uma montanha e todo um carnaval e comércio se formam do lado de fora para acompanhar o resgate.

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